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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Moradores cobram Estado sobre chacinas e ação de grupos de extermínio


Em audiência pública hoje (24) no bairro do Capão Redondo, na zona sul da capital paulista, moradores cobraram providências do Poder Público para as recorrentes chacinas e a atuação de grupos de extermínio na periferia da cidade. No dia 4, sete pessoas foram mortas em um crime no Capão Redondo.

Francisco José Carvalho Magalhães, pai do estudante Pedro Thiago de Souza Magalhães, executado no Campo Limpo – bairro vizinho do Capão Redondo – aos  20 anos por um grupo de extermínio em 14 de outubro de 2012, pediu apuração sobre o caso, ainda sem solução. “Ninguém sabe falar nada. Recolheram o corpo do local rapidamente e ninguém nunca me deu explicação. Cheguei na delegacia, o boletim de ocorrência já estava feito. Ele foi morto com armas exclusivas das Forças Armadas”, disse.

Magalhães diz que, em um domingo, seu filho, que cursava administração de empresas no Centro Universitário Anhanguera, em São Paulo, saiu de casa ao meio-dia para um fazer trabalho da faculdade. “Ele saiu de casa falando que ia pegar o pen drive. Quando deu três horas, me ligaram que ele tinha sido alvejado a bala”. Pedro foi morto com nove tiros, sete dados pelas costas. No boletim de ocorrência consta apenas que quatro pessoas desceram de um carro prata e dispararam contra o rapaz.

Depois da morte de Pedro, a região foi palco de uma chacina que deixou sete mortos no último dia 4. O crime, que ocorreu no Capão Redondo, está sendo investigada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Corregedoria da Polícia Militar, órgão que apura desvios de conduta de membros da corporação.

A Secretaria de Segurança Pública descartou que uma das vítimas da chacina seria o cinegrafista amador que fez imagens de uma ação policial no mesmo bairro, ocorrida em novembro do ano passado e que resultou na morte de um servente de pedreiro. As imagens mostram que um policial militar dispara contra um homem mesmo depois de ele estar rendido.

“O que aconteceu lá foi uma retaliação aos trabalhadores. Todo mundo sabe que dentro da polícia existe um grupo de extermínio, isso aí está na cara, não tem mais como esconder de ninguém. Aquela gravação foi para a mídia, vieram dar o troco”, disse Doraci Mariano, presidente da Associação Joacris, presente na audiência.

“Hoje, a polícia é motivo de medo. As crianças veem um carro e já correm. Na verdade, eles [os policiais] acham que da ponte [que dá acesso da Marginal Pinheiros ao bairro do Campo Limpo] para cá todo mundo é bandido. A abordagem é diferente. É com arma na cabeça, o cara pára você e fala: você pensa que está onde, no Jardins? [bairro nobre de São Paulo]”, acrescenta Mariano.

Além das denúncias, os moradores pediram na audiência pública uma maior presença de políticas públicas na região, ligadas a cultura e a cidadania. “As reivindicações vão desde Bolsa Família para as vítimas da violência, que já estão passando necessidade, a trazer para cá os programas sociais de esporte, lazer e cultura para a garotada, para as pessoas que estão à margem, trazer projetos sociais que a gente não conhece”, disse Paulo Roberto Clemente da Silva, da organização não governamental Capão Cidadão.

Convidados a participar da audiência, o secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sotilli, e o secretário municipal da Igualdade Racial, Netinho de Paula, estiveram presentes. “Viemos aqui para aprender com essa comunidade, valorizar o que ela tem a dizer, valorizar sua expressão política, social e cultural. Nós estamos nos abrindo para aprender”, disse Sotilli.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo disse que o secretário da pasta, Fernando Grella, iria se manifestar sobre as cobranças dos moradores em entrevista coletiva na noite de hoje.

Fonte: EBC

sábado, 8 de dezembro de 2012

Juristas de Cristo denunciam ação violenta da Polícia Militar de Curitiba


As denúncias da advogada Andréia Cândido Vitor, que teria sofrido abusos por parte de policiais militares paranaenses, dentre os quais estão à prisão arbitrária e o sofrimento de torturas físicas e psicológicas, motivadas por preconceito racial, ocorridos no dia 24 de novembro de 2012, chamou a atenção dos integrantes do movimento “Juristas de Cristo”. Um agrupamento que reúne profissionais jurídicos com a finalidade de reflexão sobre o cristianismo, o direito e a cidadania.

Nas denúncias a advogada fala sobre uma ação truculenta da polícia militar de Curitiba, no Estado do Paraná, no qual, segundo, teriam agredido, ofendido e proferido palavras de preconceito racial contra ela e moradores de um bairro da capital paranaense.

“Deveras, causa-nos profunda indignação à forma extremamente agressiva e truculenta com que alguns policiais militares paranaenses agiram na operação, destoando por completo daquilo que se espera de um legítimo servidor público cuja função primordial é a proteção das pessoas e a manutenção da ordem”, expressa a entidade em nota oficial.

Durante a ação militar os policiais teriam agredido os moradores da comunidade, entre eles idosos e crianças, além de, conforme relato da advogada, pronunciarem palavras de cunho discriminatório e racial.

Durante as denuncias a advogada se emociona ao relembrar os fatos e pede para que as autoridades competentes investiguem a ação da PM paranaense.

Em nota os Juristas de Cristo expressaram repúdio ao ato de violência e desrespeito de um órgão público que deveria garantir a segurança da comunidade e proceder pelo cumprimento da lei.

Sobre os Juristas de Cristo
O grupo de Juristas de Cristo é um grupo de cristãos evangélicos de todo o Brasil, composto por juristas de diversos perfis. São professores, advogados, juízes, procuradores, servidores públicos, pastores,  que debatem temas ligados ao mundo cristão. É uma espécie de fórum que discute de forma atualizada, por um grupo de e-mail, todos os temas que são trazidos a debate. Tem a característica de ser um grupo muito democrático em que não há um “chefe”, e todos podem apresentar as suas opiniões. É um grupo rico porque tem pessoas de todo Brasil, de várias denominações, idades, cargos, etc. Estimo que haja em torno de 150 componentes.

Assista ao vídeo:



Leia a nota dos Juristas de Cristo

Os integrantes do “Juristas de Cristo”, agrupamento que reúne profissionais jurídicos de diferentes correntes denominacionais, com a finalidade de reflexão sobre o Cristianismo, o Direito e a Cidadania, abaixo assinados, considerando as graves denúncias formuladas pela advogada Andréia Cândida Vitor (OAB/PR 27.325), no sentido de que teria sofrido abusos por parte de policiais militares paranaenses, dentre os quais estão a prisão arbitrária e o sofrimento de torturas físicas e psicológicas, motivadas por preconceito racial, ocorridos no dia 24 de novembro de 2012, vêm, através desta nota, assim se manifestar:

A citada denúncia, disponibilizada na rede mundial de computadores, revela fatos gravíssimos e estarrecedores. Deveras, causa-nos profunda indignação à forma extremamente agressiva e truculenta com que alguns policiais militares paranaenses agiram na operação, destoando por completo daquilo que se espera de um legítimo servidor público cuja função primordial é a proteção das pessoas e a manutenção da ordem.

Através deste instrumento, solidarizamo-nos com a Drª. Andréia Cândida Vitor, vítima desse sórdido episódio, parabenizamos a OAB, subseção do Paraná, pela atenção imediatamente prestada à causa, conclamamos as autoridades públicas da cidade de Curitiba e do Estado do Paraná a fim de que procedam à apuração imediata e punição exemplar de todos aqueles quanto envolvidos nesse vergonhoso episódio de afronta e desrespeito a direitos fundamentais dos mais comezinhos e, sobretudo, instamos a sociedade civil como um todo a estar atenta quanto a todos os desdobramentos que surgirem do caso.

Em verdade, nosso repúdio, ora materializado, é um pedido de respeito à dignidade do ser humano, à democracia e à Constituição Federal, elementos oficialmente cristalizados em nossa sociedade, que, repise-se, virá através de apuração firme e penalização dos eventuais responsáveis pelos crimes cometidos.

À vista desse descalabro, a sociedade não pode se calar, tampouco o Estado pode tolerar uma tal situação, sob pena de voltarmos à barbárie.

É o que, por ora, cumpria-nos expressar.

Juristas de Cristo

Assista outros vídeos que foram reportagem no Bom Dia Parana (Rede Globo) - TV Uol / Rede Bandeirantes

PR: moradores acusam policiais de abuso e racismo


Policiais militares invadem casa e agridem moradores no Paraná

Abuso de autoridade Policial no Paraná

Fonte: O Verbo e mídias relacionadas acima